segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Timidez

Do latim timere, ter medo.

Existem algumas explicações para definir a origem da timidez nas pessoas, mas uma delas me chamou muita atenção e é a motivação desse texto.

timidez

Ter medo. Mas ter medo do quê? E por quê?

Segundo Susan Cain, a autora do livro O poder dos Quietos¹, diz, um tímido é tímido por que tem alta sensibilidade aos acontecimentos externos, ou seja, percebe os eventos de forma sensorialmente potencializada. Nesse estudo foi feito um teste com bebês que mostrou um incômodo maior de alguns a estímulos sensoriais, como luz ou sons.

Essas crianças tem grande chance de se tornarem tímidas, pois tendem a se isolar, evitando contado com sensações que lhe causam maior incômodo.

Da mesma forma como essa alta sensibilidade causou um relativo prejuízo social, também traz benefícios ao tímido, como uma maior atenção, criatividade, percepção, altruísmo, empatia…

Enfim, não quero puxar a sardinha pro meu lado, afinal até pouco tempo atrás ser tímido quase não tinha vantagens, hoje a sociedade é bem mais tolerante e o espaço para pessoas com essa personalidade são enormes.

Quando você conhecer um tímido, não o assuste, seja cauteloso, a pior atitude é força-lo a se socializar.

Psicólogos me perdoem por qualquer gafe.

 

1 – Colaboração bibliográfica da leitora Andréa

http://opoderdosquietos.com.br/

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tanto clichê

cinza flor

Agora os poemas fazem sentido,
as canções criaram vida,
as metáforas tem seu valor
e o olhar fica perdido.

Tanto clichê eu aprendi, tanto poema eu entendi!

Agora o vermelho é cinza,
o azul é cinza,
o verde é cinza
e o cinza, ainda mais cinza.

O poema não quero entender,
não quero chorar nas canções,
quero meu vermelho, meu azul,
não quero clichê!

Chega!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Uma realidade tão real quanto a realidade

 

Naquele Império, a Arte da Cartografia logrou tal perfeição que o mapa de uma única Província ocupava toda uma Cidade, e o mapa do império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o tamanho do Império e coincidia pontualmente com ele. Menos Adictas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes entenderam que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedade o entregaram às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e por Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Cartográficas.

Suáres Miranda: Viajes de Varones Prudentes, livro quatro, cap. XLV, Lérida, 1658

 

Existe melhor representação da realidade senão a própria realidade? Em seu texto, Suáres Miranda exemplifica muito bem como uma representação se torna inútil quando idêntica ao objeto representado, qual é a utilidade de um mapa em tamanho real?

 

Magritte_1933_La condition humaine

Em seu quadro “A condição humana” de 1933, Magritte cria uma pintura onde um quadro, a frente de uma janela, oculta parte da vista, essa parte então é representada pelo próprio quadro formando uma paisagem completa.

Tanto o mapa quanto o quadro criam uma camada sobre a realidade, essa camada pode chegar a ser tão perfeita que se iguala a própria realidade e nesse ponto se torna inútil.

Vejo essa situação acontecer atualmente, contamos com tantas intervenções entre nós e o mundo, intervenções tão perfeitas possibilitadas pela ciência e tecnologia, que ficamos cada vez mais longe da realidade, estamos cada vez mais alheios ao mundo, as pessoas e a vida.

Vivemos em uma realidade tão real quanto a realidade.